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Pedra e cristal · Libra

A pedra de Libra é a opala, e ela nem sequer é um cristal

A pedra de Libra é a opala, aquela que muda de cor conforme você gira a mão. E aqui vai o dado que decide a escolha: a opala não é um cristal. Ela não tem estrutura cristalina nenhuma, é sílica amorfa com água presa dentro, entre 3% e 21% do peso. É uma pedra que não escolheu uma forma fixa, que faz cor sem ter pigmento e que só existe direito na relação entre a luz e quem olha. Se existe uma gema que traduz Libra, é essa.
A opala não tem cor guardada dentro dela. Ela faz cor no encontro com a luz, e isso é uma coisa que só existe a dois.

Por que combina com Libra

Ar cardinal significa iniciar pelo vínculo. Libra é o signo que abre a segunda metade do zodíaco, a metade do outro, e que começa as coisas propondo, convidando, colocando duas partes na mesma mesa. A opala faz algo estruturalmente parecido: a cor dela não está nela. O jogo de cores acontece porque milhões de microesferas de sílica, empilhadas de forma regular, difratam a luz que entra e devolvem cada comprimento de onda em um ângulo diferente. É o mesmo princípio que faz uma bolha de sabão ser irisada. Sem luz e sem alguém olhando de um certo ângulo, não existe cor. Existe pedra branca.

Vênus rege Libra, e Vênus é o planeta do gosto, da estética e da relação. Nenhuma gema é mais estética no sentido literal da palavra, que é o sentido de percepção pelos sentidos: a opala não tem uma cor para ser descrita, ela tem um comportamento para ser visto. Duas pessoas olhando a mesma pedra de lugares diferentes veem coisas diferentes, e as duas estão certas. Existe uma boa piada libriana escondida aí, e ela é mineralógica antes de ser astrológica.

O contraponto honesto é que a opala é frágil e exige um dono paciente. Dureza entre 5,5 e 6,5, ou seja, ela risca com facilidade, e a água na composição faz dela sensível a calor seco e a mudança brusca de temperatura. Em condições ruins ela pode desenvolver crazing, uma rede de rachaduras finíssimas na superfície, e não existe conserto para isso. Quem quer uma pedra para usar em obra, em academia e na faxina deve escolher outra coisa. A opala é para o dedo que trabalha sentado ou para o pescoço.

Na vida real

Pense na decisão que você adiou por três semanas: mudar de emprego, terminar, aceitar a proposta, dizer que não vai à festa. Libra costuma ficar preso nesse ponto por um motivo generoso, que é conseguir ver com clareza o lado bom da opção que vai descartar. Uma opala no pescoço não decide nada por você, e prometer isso seria mentira. O que ela pode fazer é ser o objeto que você escolheu de propósito para marcar um combinado seu, do tipo: no dia em que eu usar essa pedra, eu respondo. Um prazo escolhido por você funciona melhor do que um prazo que a vida impõe, e um objeto ajuda a lembrar do prazo.

Você sabia?

A fama de que opala dá azar foi inventada por um romance. Em 1829, Walter Scott publicou Anne of Geierstein, em que uma personagem usa uma opala presa aos cabelos que se apaga quando algumas gotas de água benta caem sobre ela, e ela morre logo em seguida. O livro fez enorme sucesso na Europa, o público leu a cena como se fosse folclore antigo em vez de invenção do autor, e a superstição pegou com tanta força que o preço da opala despencou por décadas no mercado europeu. A pedra só voltou a ser desejada quando a Austrália encontrou grandes depósitos e passou a abastecer o mundo, e conta-se que a rainha Vitória ajudou a virar o jogo dando opalas de presente às filhas. Ou seja: a superstição mais famosa sobre uma gema começou num romance de ficção com data de publicação. Difícil imaginar prova melhor de que fama de pedra é história, não é física.

Como usar no dia a dia

Melhor como pingente do que como anel de todo dia

A mão bate em maçaneta, em quina de mesa e em carrinho de supermercado o tempo inteiro, e a opala não perdoa impacto. Num pingente ou num brinco ela leva uma vida tranquila e ainda fica na altura em que o jogo de cores é mais visto pelos outros. Se você quiser mesmo anel, prefira o de aro alto, que protege a lateral da pedra.

Na hora de comprar, gire a pedra devagar

O que define preço em opala é a intensidade e a distribuição do jogo de cores, e o quanto ele se mantém quando você muda o ângulo. Uma opala que acende de um lado só e apaga do outro vale bem menos que uma que responde em qualquer posição. Vermelho é a cor mais rara e mais cara nesse jogo, azul e verde são as mais comuns.

Cuidado que a maioria das lojas não explica

A opala tem água na composição, e por isso ela é sensível a calor seco e a choque térmico. Não deixe no painel do carro, não use secador de cabelo em cima, não guarde por meses num cofre seco e sem ventilação, e não passe do sol forte para a água gelada. Também não mergulhe: molhar por tempo prolongado pode alterar o aspecto e, no caso de opala dupleta ou tripleta, que é montada em camadas coladas, a água descola as camadas.

Como limpar sem estragar

Pano macio levemente úmido e sabão neutro na peça, nunca a pedra de molho. Nada de limpador ultrassônico, nada de vapor, nada de produto químico. Guarde separada de outras joias, porque quase tudo que está na sua caixinha é mais duro que ela e vai riscar. Um saquinho de tecido resolve. Limpeza aqui é conservação de objeto, não ritual de purificação.

Se não achar (ou não gostar): alternativas

Quartzo rosa

Barato, fácil de achar, muito mais resistente e com a cor mais venusiana que existe no mundo dos minerais. Ótima escolha para quem quer usar todo dia sem nenhuma preocupação de cuidado.

Lápis-lazúli

Azul profundo com veios dourados de pirita, extraído no Afeganistão há mais de seis mil anos e moído no passado para fazer o pigmento azul ultramar da pintura renascentista. É Vênus pelo lado da beleza feita à mão.

Morganita

É a variedade rosa do berilo, a mesma família da esmeralda e da água-marinha, com dureza bem alta. Entrega o rosa suave de Libra com a durabilidade que a opala não tem.

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

A opala tem algum efeito real sobre a pessoa?
Não. Ela não cura, não protege, não atrai amor, não equilibra nada e, apesar da lenda, também não dá azar nenhum. A história da opala é a melhor prova disso que existe: a fama de má sorte nasceu de um romance de 1829 e derrubou o preço da pedra por décadas. Foi ficção virando crença. O que existe de verdade é bem mais simples: um objeto escolhido de propósito funciona como lembrete de uma decisão sua, do mesmo jeito que uma aliança ou uma foto na carteira. Isso é memória, não é magia.
Qual a diferença entre opala sólida, dupleta e tripleta?
Sólida é a pedra inteira, só opala, e é a mais valorizada. Dupleta é uma lâmina fina de opala colada sobre uma base escura, que faz a cor aparecer mais. Tripleta acrescenta uma cúpula transparente de quartzo ou vidro por cima. As duas montadas custam bem menos e são bonitas, mas não podem ser molhadas de jeito nenhum, porque a cola descola. Pergunte sempre, porque muita vitrine não informa.
Existe opala brasileira?
Existe, e é boa. O Piauí, na região de Pedro II, produz opala nobre reconhecida internacionalmente, com jogo de cores em base clara. A Austrália segue sendo a maior fonte mundial de opala preciosa, com Coober Pedy e Lightning Ridge como nomes mais conhecidos, e a opala preta australiana é a mais cara de todas. Etiópia e México também aparecem com força no mercado.
Preciso ser de Libra para usar opala?
Não, e não existe pedra proibida por signo. A correspondência é uma chave de escolha, útil para quem quer decidir com algum critério em vez de decidir no acaso. Vale notar que a opala é a pedra do mês de outubro nas listas modernas de joalheria, o que reforça o vínculo com o período libriano por outro caminho, também tradicional e também não oficial.

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