Literatura
O mapa astral de Marcel Proust
Nascimento: 10 de julho de 1871, às 23:30, em Paris, França. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/marcel-proust/), nota AA: registro de nascimento em mãos.
A geometria real do céu de 10/07/1871
O céu em números
- Sol18°10' Câncer · casa 4
- Lua4°17' Touro · casa 1
- Ascendente23°16' Áries · casa 1
- Meio do Céu10°08' Capricórnio · casa 10
- Mercúrio17°33' Câncer · casa 4
- Vênus3°33' Virgem · casa 6
- Marte11°28' Libra · casa 6
- Júpiter10°41' Câncer · casa 4
- Saturnoretrógrado5°42' Capricórnio · casa 9
- Urano26°18' Câncer · casa 4
- Netuno24°00' Áries · casa 1
- Plutão19°36' Touro · casa 1
- Quíron11°22' Áries · casa 12
- Lilith15°43' Gêmeos · casa 2
Sol, Lua, Ascendente e o elenco
a essência virada pro passado
Sol em Câncer, casa 4
O Sol aponta o centro da pessoa, aquilo em torno do que tudo gira. O dele fica em Câncer, o signo da memória e do apego ao que já foi, bem na parte do mapa que fala de casa de infância. É difícil achar retrato mais exato do escritor que passou a vida adulta reconstruindo a própria infância no papel.
os cinco sentidos
Lua em Touro, casa 1
A Lua guarda a vida emocional, o que se sente antes de conseguir explicar. A dele fica em Touro, o signo do gosto, do cheiro e do toque, logo na abertura do mapa. Combina demais com o autor da cena mais famosa da literatura moderna, em que um bolinho molhado no chá traz um mundo inteiro de volta.
a porta enevoada
Ascendente em Áries
O Ascendente é a porta de entrada, o primeiro traço que o mundo enxerga. O dele é Áries, o signo do direto e do rápido, mas com Netuno, o planeta da névoa, praticamente colado nele. É uma porta que promete pressa e entrega neblina, o que descreve bem uma prosa de frases que se esticam por páginas.
pensar é lembrar
Mercúrio em Câncer, casa 4
Mercúrio é o planeta da cabeça e do texto, e o dele está grudado no Sol, no mesmo signo de memória e no mesmo canto do mapa. Quando esses dois andam colados assim, o pensamento e a identidade se confundem. No caso dele, pensar e lembrar viraram a mesma operação.
o gosto pelo detalhe mínimo
Vênus em Virgem, casa 6
Vênus cuida do prazer, do afeto e do senso de beleza. A dele fica em Virgem, o signo que repara no detalhe que ninguém vê, na parte do mapa que cuida do trabalho de todo dia. É o eco de quem gastava parágrafos inteiros descrevendo um gesto de mão numa sala de visitas.
a briga de salão
Marte em Libra, casa 6
Marte é onde mora o lado combativo, a parte que avança. A dele fica em Libra, o signo mais avesso ao confronto aberto, também na zona do trabalho. Casa com um escritor cujo campo de batalha eram os salões de Paris, onde a disputa se dava por convite, por sutileza e por frase bem colocada.
O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa
A casa da infância
Sol, Mercúrio, Júpiter e Urano na casa 4, a da casa de infância e da memória antiga
Quatro pontos do mapa caem no mesmo pedaço do céu, o que fala de lar, de família de origem e do passado guardado. É muita coisa concentrada num lugar só. E o romance que ele passou mais de uma década escrevendo abre exatamente ali: um menino esperando o beijo de boa noite da mãe, numa casa de província que ele descreve cômodo por cômodo.
O livro que não acabava
Júpiter, o planeta do sempre mais, colado no ponto mais fundo do mapa, a 0,56 grau
O ponto mais fundo do mapa fala da raiz, do lugar de onde a pessoa vem. E bem ali está Júpiter, que é o planeta do exagero e do quero mais, num encontro quase exato. É um desenho bonito pro escritor cuja obra inteira brotou de uma casa de infância e não parava de crescer: sete volumes, milhares de páginas, e ele ainda mexendo no texto até o fim.
A neblina na porta de entrada
Netuno colado no Ascendente, a 0,72 grau
O Ascendente é como a pessoa aparece pro mundo, e Netuno é o planeta do que não tem contorno firme: o sonho, a névoa, o meio do caminho entre dormir e acordar. Os dois estão praticamente no mesmo ponto do mapa dele. E a primeira página do romance é justamente um homem no escuro, recém-desperto, sem saber que quarto é aquele nem que hora é.
O bolinho
Lua em Touro, o signo dos cinco sentidos, em ângulo suave com Vênus, a 0,72 grau
A Lua mede o que a gente sente, e Vênus responde pelo prazer, e no mapa dele os dois conversam de um jeito fácil, quase sem folga. Touro é o signo do corpo: sabor, cheiro, textura. É lindo ver isso no autor da madeleine, o pedaço de bolo mergulhado no chá que, pelo puro sabor, devolve ao narrador uma cidade inteira que ele achava perdida.
Começar algo que não caberia numa vida
78% do mapa em signos cardinais, os que dão o primeiro passo, e Meio do Céu em Capricórnio
Quase oito em cada dez pontos do mapa dele estão em signos que puxam começo, uma concentração fora do comum. E o alto do mapa, que fala da marca deixada no mundo, está em Capricórnio, o signo do prazo longo. Combina com quem deu partida num projeto que só terminaria depois da própria morte: os últimos volumes do romance saíram anos depois de ele partir.
As conversas do céu
A planta baixa por baixo do devaneio
Lua e Saturno em ângulo fácil, a 1,42 grau
De um lado a Lua, que é o sentir. Do outro Saturno, que é a régua, o planeta que organiza e cobra. Um trabalha a favor do outro no céu dele. Costuma dar quem consegue dar forma rígida a um material emocional solto. É o escritor de frases sonhadoras que, por baixo, montou uma catedral com projeto de arquitetura, com o fim do último volume amarrado ao começo do primeiro.
Morder mais do que caberia
Marte e Júpiter se cutucando, a 0,78 grau
Marte é a força de agir e Júpiter é o apetite do sempre mais. No céu dele, os dois puxam em direções diferentes. Costuma dar quem promete um tamanho e entrega outro, sem conseguir evitar. É o autor que anunciou um romance de três volumes e terminou com sete, porque o texto crescia por dentro a cada revisão.
A escavação silenciosa
Sol e Plutão se ajudando, a 1,43 grau
O Sol responde pelo centro da pessoa, e Plutão pelo que está enterrado, do que só aparece se alguém cavar. Esses dois se dão bem no céu dele. Costuma dar quem tem facilidade natural pra buscar o que os outros nem sabem que existe. Casa com um livro que trata a lembrança involuntária, aquela que chega sozinha e sem ser chamada, como o material mais precioso que existe.
Elementos e aspectos
A mistura dos elementos
- terra34%
- Água34%
- ar17%
- fogo15%
Os aspectos mais apertados
- Marte oposição Quíron · 0,09° de folga
- Júpiter oposição Meio do Céu · 0,56° de folga
- Sol conjunção Mercúrio · 0,63° de folga
- Júpiter quadratura Quíron · 0,68° de folga
- Lua trígono Vênus · 0,72° de folga
- Netuno conjunção Ascendente · 0,72° de folga
Você sabia?Você sabia que Em Busca do Tempo Perdido foi recusado pelas editoras? Em 1912 quem leu o original para a Nouvelle Revue Française foi André Gide, e ele disse não. Proust publicou o primeiro volume por conta própria, pagando do bolso, em novembro de 1913. Em janeiro de 1914 Gide escreveu pedindo desculpas e confessou o motivo do erro: tinha aberto um caderno só, com mão distraída, e concluído que aquilo era coisa de esnobe amador. A recusa, escreveu ele, seria o erro mais grave da revista e um dos remorsos mais ardidos da vida dele.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
De onde vem a hora de nascimento de Marcel Proust?
Ter o mesmo signo de Marcel Proust quer dizer ser parecido com Marcel Proust?
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Como comparo o meu mapa com este?
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