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Música brasileira

O mapa astral de João Bosco

João Bosco é um dos maiores compositores da música brasileira e o homem que transformou a própria voz em instrumento de sopro, inventando sílabas que não existem em nenhum idioma. Com Aldir Blanc, escreveu mais de cem canções, entre elas O Bêbado e a Equilibrista, que virou o hino da anistia na voz de Elis Regina. O mapa dele tem três pontos em Leão na casa do que é seu, e a voz é a coisa mais dele que existe.

Nascimento: 13 de julho de 1946, às 05:00, em Ponte Nova (MG), Brasil. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/joao-bosco/), nota A: memória.

O horário usado neste mapa vem de registro classificado como memória, e não de documento de cartório. A data está segura, mas o minuto depende de relato. Na prática, isso não altera a posição dos planetas nos signos nem os aspectos entre eles, mas pode deslocar um pouco o Ascendente e o começo das casas. As leituras por signo e por aspecto seguem firmes; as que dependem de casa merecem esta ressalva.

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A geometria real do céu de 13/07/1946

O céu em números

  • Sol20°19' Câncer · casa 1
  • Lua8°28' Capricórnio · casa 7
  • Ascendente28°32' Gêmeos · casa 1
  • Meio do Céu8°22' Áries · casa 10
  • Mercúrio14°43' Leão · casa 2
  • Vênus29°26' Leão · casa 2
  • Marte13°21' Virgem · casa 3
  • Júpiter18°38' Libra · casa 4
  • Saturno27°22' Câncer · casa 1
  • Urano19°31' Gêmeos · casa 12
  • Netuno6°01' Libra · casa 3
  • Plutão10°45' Leão · casa 2
  • Quíron15°45' Libra · casa 4
  • Lilith7°39' Sagitário · casa 6

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

o calor mineiro

Sol em Câncer, casa 1

O Sol mostra de onde a pessoa tira o próprio brilho, e o dele está em Câncer, o signo do acolhimento e da memória afetiva, dentro da casa 1, a da presença física, com Saturno no mesmo signo e na mesma casa. É a figura que qualquer pessoa reconhece nele em cima do palco: um sujeito caloroso e ao mesmo tempo contido, mineiro no melhor sentido da palavra, que abraça sem alarde.

o rigor por dentro

Lua em Capricórnio, casa 7

A Lua responde pelo mundo interno, e a dele está em Capricórnio, o signo da autocobrança silenciosa, na casa 7, a de quem está do outro lado. Descreve alguém que se cobra através da relação com um parceiro de trabalho. É a peça que explica meio século de trabalho a quatro mãos: a exigência dele com a própria obra passa por outra pessoa estar ali para responder.

a agilidade da língua

Ascendente em Gêmeos

O Ascendente é o modo de chegar, e o dele está quase no fim de Gêmeos, o signo do jogo de palavras e da língua rápida. É a explicação astrológica mais bonita do estilo dele: as melodias que ele escreve exigem a boca de um trapezista, com sílabas que se atropelam e viradas de ritmo dentro da mesma frase. Quem já tentou cantar Kid Cavaquinho no chuveiro sabe do que se trata.

a boca como metal

Mercúrio em Leão, casa 2

Mercúrio conta como se pensa e se fala, e o dele está em Leão, o signo do brilho e do gesto largo, na casa 2, a do que é seu. Mercúrio nesse cruzamento descreve quem faz da própria fala um bem material. Ele é o cantor que inventa sílaba sem significado no meio da música, usando a voz como se fosse um naipe de metais, e essa invenção não tem tradução: é dele e de mais ninguém.

o gosto pelo suingue

Vênus em Leão, casa 2

Vênus é o que a pessoa acha bonito, e a dele está no último grau de Leão, também na casa 2, em ângulo suave com o Ascendente. Vênus em Leão gosta de generosidade sonora, de coisa que enche a sala. É o gosto que junta samba, jazz e harmonia complexa sem soar acadêmico, e que faz música difícil parecer festa.

a força no acabamento

Marte em Virgem, casa 3

Marte é onde se gasta a energia de luta, e a dele está em Virgem, o signo do trabalho minucioso, na casa 3, a da palavra e da comunicação. É força aplicada em acerto de detalhe. Aparece na estrutura das canções dele, em que a divisão rítmica da melodia é ajustada até a sílaba cair exatamente no tempo certo, coisa que quase nenhum compositor brasileiro faz com tanto rigor.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

A voz que virou instrumento

Mercúrio, Vênus e Plutão em Leão, todos na casa 2 (a do que é seu)

A casa 2 é o setor daquilo que pertence à pessoa, e Leão é o signo do que brilha alto. Ter a fala, o gosto e a intensidade concentrados ali descreve alguém cujo maior patrimônio sai da própria boca. Ele criou um jeito de cantar em que a voz imita metais e percussão, com sílabas inventadas que não pertencem ao português nem a nenhum outro idioma, e isso virou marca registrada, do tipo que se reconhece em dois segundos de gravação.

O hino da volta

Júpiter em Libra na casa 4, em trígono com Urano a 0,88 grau

Júpiter é o planeta que amplia, Libra é o signo da justiça, a casa 4 é a do país de origem e da raiz, e Urano é o planeta da virada histórica. Tudo isso conectado é um desenho grande demais para ser coincidência. Em 1979, a canção que ele fez com Aldir Blanc, O Bêbado e a Equilibrista, foi gravada por Elis Regina e virou o hino da anistia, a música que o Brasil cantou quando os exilados começaram a voltar.

A obra a quatro mãos

Lua em Capricórnio na casa 7, em quadratura com o ponto mais alto do mapa, a 0,09 grau

A casa 7 é o setor da parceria e o ponto mais alto do mapa é o da imagem pública. Ter a Lua numa casa atritando com a outra, com folga de nove centésimos de grau, é o aspecto mais fechado do mapa dele, e descreve alguém cuja vida emocional e profissional passa por uma dupla, com todo o desconforto que isso traz para o nome individual. A parceria com Aldir Blanc começou em 1970 e rendeu mais de cem canções, e é impossível contar a obra de um sem contar a do outro.

A língua de trapezista

Ascendente quase no fim de Gêmeos, em sextil com Vênus a 0,92 grau

Gêmeos é o signo da agilidade verbal, e ele está bem na porta do mapa, recebendo um ângulo suave de Vênus. Costuma dar quem encanta pela destreza da fala. As melodias dele são famosas por serem quase impossíveis de cantar direito: mudam de acento, atropelam sílabas e giram dentro do compasso. É virtuosismo de língua, e vem exatamente do ponto do mapa que fala de como a pessoa se apresenta.

Fogo e ar, mesmo quando a letra dói

36 por cento em fogo e 32 por cento em ar, contra 15 por cento em água

Fogo é alegria e vontade, ar é palavra e movimento, e a água, que é a tristeza que se derrama, é o menor naipe do mapa dele. Isso explica uma característica muito específica da obra: as letras que ele musicou tratam de exílio, de perda e de país machucado, e a música por cima quase nunca é lenta ou lamentosa. Ele coloca dor em cima de suingue, e é justamente esse contraste que faz a canção grudar.

As conversas do céu

O centro e o excesso se cutucando

Sol em quadratura com Júpiter, a 1,68 grau

Júpiter é o planeta do mais, e em atrito com o Sol costuma dar quem tem dificuldade de fazer as coisas em tamanho normal. Aparece na obra dele como uma tendência à sofisticação crescente: harmonias que vão ficando mais complexas disco após disco, ao ponto de parte do público perder o fio e a crítica especializada aplaudir de pé.

A palavra e a ferida em bom termo

Mercúrio em sextil com Quíron, a 1,04 grau

Quíron é o ponto do que dói e depois se torna competência, e aqui ele conversa bem com o modo de falar. Costuma dar quem consegue nomear o incômodo coletivo sem virar panfleto. É a diferença entre a canção de protesto que envelhece e a que continua sendo cantada: ele escrevia sobre o Brasil daquele momento com imagens que sobrevivem ao momento.

A virada no rumo da vida

Urano em conjunção com o Nodo Norte, a 1,14 grau

Urano é o planeta do corte com o esperado e o Nodo Norte é o ponto que a tradição liga à direção a seguir. Os dois quase no mesmo lugar costumam dar quem muda de rota e é justamente essa mudança que dá certo. Ele estudou engenharia civil na Escola de Minas de Ouro Preto e escolheu a música, o que na época era jogar fora uma carreira garantida.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • fogo36%
  • ar32%
  • terra17%
  • Água15%

Os aspectos mais apertados

  • Lua quadratura Meio do Céu · 0,09° de folga
  • Meio do Céu trígono Lilith · 0,71° de folga
  • Júpiter trígono Urano · 0,88° de folga
  • Vênus sextil Ascendente · 0,92° de folga
  • Mercúrio sextil Quíron · 1,04° de folga
  • Urano conjunção Nodo Norte · 1,14° de folga

Você sabia?Você não vai acreditar: antes de virar um dos maiores compositores do país, ele se formou em engenharia civil pela Escola de Minas de Ouro Preto. Ou seja, o homem que inventou um vocabulário próprio de sílabas cantadas tinha, no bolso, um diploma de calcular estrutura de prédio. Talvez explique alguma coisa: as canções dele têm arquitetura, não são improviso, e a precisão rítmica delas é de projeto.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de João Bosco?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/joao-bosco/), nota A: memória. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de João Bosco quer dizer ser parecido com João Bosco?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Câncer, João Bosco tem Lua em Capricórnio e Ascendente em Gêmeos, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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