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Filosofia

O mapa astral de Jacques Derrida

Jacques Derrida é o filósofo argelino de língua francesa que criou a desconstrução, o método de leitura que mostra como um texto se contradiz por dentro. Em 1967 publicou três livros no mesmo ano, entre eles a Gramatologia, e mudou o vocabulário de departamentos inteiros de humanidades no mundo. É lido como quem procura o que está escondido nas dobras da frase.

Nascimento: 15 de julho de 1930, às 08:30, em Birkhadem, Argélia. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/jacques-derrida/), nota AA: registro de nascimento em mãos.

O registro de nascimento na nossa base traz Birkhadem como local, enquanto as biografias documentadas apontam El Biar, outro subúrbio de Argel. As duas ficam a poucos quilômetros uma da outra, na mesma cidade e no mesmo fuso, então a diferença não altera o mapa de forma perceptível. Mesmo assim, preferimos registrar aqui em vez de deixar passar em silêncio.

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A geometria real do céu de 15/07/1930

O céu em números

  • Sol22°07' Câncer · casa 11
  • Lua11°37' Peixes · casa 7
  • Ascendente7°50' Virgem · casa 1
  • Meio do Céu4°58' Gêmeos · casa 10
  • Mercúrio22°02' Câncer · casa 11
  • Vênus0°46' Virgem · casa 12
  • Marte0°34' Gêmeos · casa 9
  • Júpiter4°10' Câncer · casa 10
  • Saturnoretrógrado7°32' Capricórnio · casa 4
  • Urano15°21' Áries · casa 8
  • Netuno1°49' Virgem · casa 12
  • Plutão19°14' Câncer · casa 11
  • Quíron18°08' Touro · casa 9
  • Lilith16°52' Aquário · casa 6

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

o centro que é feito de palavra

Sol em Câncer, casa 11

Virar sinônimo do próprio vocabulário combina com um Sol praticamente colado a Mercúrio, o planeta da linguagem, e é assim no mapa dele: 0,08 grau separa os dois, o encontro mais fechado de todo o céu. O Sol é o centro de gravidade de alguém e Mercúrio é o dizer. Quando os dois ocupam o mesmo ponto, a identidade e a palavra viram a mesma coisa, o que é uma boa definição de Derrida.

o sentir que não fecha contorno

Lua em Peixes, casa 7

A Lua mostra o mundo interno. A dele caiu em Peixes, um signo sem borda definida, no trecho do desenho que fala do outro. Tende a produzir quem se dissolve um pouco no interlocutor e sente a posição alheia por dentro, o que é uma ferramenta central para quem faz da leitura do texto do outro o próprio ofício.

a lupa sobre a frase

Ascendente em Virgem

No horizonte daquele instante despontava Virgem, o do detalhe examinado com lupa, da nota de rodapé, da vírgula que muda tudo. Esse ponto desenha a primeira impressão de uma pessoa. Nele, virou método: a desconstrução consiste justamente em ler um texto com atenção tão minuciosa que ele começa a discordar de si mesmo.

o pensamento que volta ao ninho

Mercúrio em Câncer, casa 11

Mercúrio é o planeta do argumento, e o dele está em Câncer, signo da memória, junto do Sol. Marca quem pensa por retorno, revisitando o que já foi dito para achar ali o que ficou de fora. Grande parte da obra dele é isso: reler filósofos consagrados procurando o que a tradição decidiu não escutar.

o gosto pelo que está escondido

Vênus em Virgem, casa 12

Vênus indica o que dá vontade de ter perto. A dele mal entrou em Virgem, a menos de um grau da fronteira, dentro do pedaço do céu que trata do que fica fora da vista, e está praticamente colada a Netuno. Anda junto de quem se encanta com aquilo que não está declarado, com a margem, com o que o texto deixou escapar sem querer.

a briga travada no argumento

Marte em Gêmeos, casa 9

Marte é o gesto de avançar. A dele está a pouco mais de meio grau da entrada de Gêmeos, signo da discussão, no setor que fala de estudo superior e de doutrina. É uma posição de quem não parte pra cima com o corpo e sim com a frase, e a vida acadêmica dele foi feita de polêmicas públicas travadas exclusivamente em papel.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

O que sobra nas margens

Vênus e Netuno juntos na casa 12, a do que fica fora da vista

A casa 12 é o setor do que está escondido, do que não se declara, e ele tem lá Vênus e Netuno praticamente colados, os dois em Virgem, o signo da observação minuciosa. Some as duas informações e aparece alguém apaixonado pelo detalhe que ninguém viu. É a operação central do trabalho dele: pegar um texto clássico, ir até o rodapé, a metáfora acidental, a palavra escolhida sem pensar, e mostrar que é dali que o edifício inteiro depende.

O topo do mapa em Gêmeos

Meio do Céu em Gêmeos, o signo da linguagem

O alto do desenho guarda o que uma pessoa representa, e o dele caiu no signo que trata de linguagem, de escrita e de circulação de palavra. Não é pouco para alguém cuja obra inteira gira em torno de uma tese sobre a escrita, e cuja fama pública consiste em ter feito o mundo intelectual discutir por décadas o que exatamente acontece quando uma frase é lida.

Três pontos na casa das correntes

Sol, Mercúrio e Plutão na casa 11, a dos grupos e dos movimentos

A casa 11 é o lado do círculo que fala do conjunto de gente unido por uma ideia comum, e ele tem lá o Sol, Mercúrio e Plutão, este último o planeta que transforma tudo em que toca. Em 1967 ele publicou três livros no mesmo ano, e o efeito foi coletivo: uma geração inteira de professores e alunos passou a usar palavras que não usava antes. A obra dele não criou seguidores, criou vocabulário.

A frase que se recusa a fechar

5% do mapa em signos fixos, o menor número possível na prática

Os signos fixos são os que travam a posição e não deixam ela se mover. No céu dele, eles ocupam cinco por cento. É um número tão baixo que quase não aparece em mapa nenhum. E é o pé da piada mais fina deste perfil: o pensador que dedicou a vida a mostrar que o sentido de um texto nunca fica parado, que sempre escorrega para o próximo termo, tem um mapa em que praticamente nada é fixo.

O rigor por baixo da fama de obscuro

Saturno em diálogo com o Ascendente, a 0,30 grau

Saturno é o planeta da estrutura, do limite e do trabalho duro, e conversa suavemente com o ponto que revela a chegada dele, a trinta centésimos de grau. Costuma dar quem é muito mais disciplinado do que a primeira impressão sugere. Serve a um autor com fama de difícil, mas cuja dificuldade nunca veio de desleixo: os textos dele são construções extremamente controladas, e é justamente esse controle que os torna trabalhosos.

As conversas do céu

O afeto e a ação em desacordo

Vênus e Marte em ângulo de choque, a 0,20 grau

Vênus quer aproximar e Marte quer avançar, e no círculo dele as duas peças se atritam com apenas vinte centésimos de grau de folga. Acompanha quem tem dificuldade em fazer o desejo de agradar e a vontade de confrontar caberem na mesma frase. É uma tensão reconhecível na obra dele: textos generosos com o autor lido e devastadores com a tese dele, ao mesmo tempo.

A ação contra a névoa

Marte e Netuno em ângulo hostil, a 1,26 grau

Netuno dissolve contorno e Marte quer alvo definido, e quando os dois se atritam fala de quem age em terreno que nunca fica firme. É a condição de trabalho que ele escolheu de propósito: passar a vida atacando problemas cuja formulação exata ele mesmo se recusava a fixar de uma vez por todas.

A profundidade que ensina

Plutão e Quíron em diálogo, a 1,09 grau

Plutão é o que revira o fundo e Quíron é o que dói e depois vira ensinamento, e no conjunto dele esses dois se entendem. Tem a ver com quem consegue transformar um incômodo profundo em ferramenta para outras pessoas. Combina com um pensador cuja principal contribuição foi dar a muita gente um método para desconfiar do que parecia óbvio.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • Água41%
  • terra27%
  • ar20%
  • fogo12%

Os aspectos mais apertados

  • Sol conjunção Mercúrio · 0,08° de folga
  • Vênus quadratura Marte · 0,2° de folga
  • Saturno trígono Ascendente · 0,3° de folga
  • Vênus conjunção Netuno · 1,06° de folga
  • Plutão sextil Quíron · 1,09° de folga
  • Marte quadratura Netuno · 1,26° de folga

Você sabia?Em 1974 ele publicou um livro chamado Glas, impresso em duas colunas paralelas: de um lado, uma leitura do filósofo alemão Hegel; do outro, uma leitura do escritor francês Jean Genet. As duas correm ao mesmo tempo, página após página, e cabe ao leitor decidir em que ordem ler. É um livro que só funciona como objeto físico, e é o tipo de gesto que explica melhor do que qualquer resumo o que ele entendia por escrita.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Jacques Derrida?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/jacques-derrida/), nota AA: registro de nascimento em mãos. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Jacques Derrida quer dizer ser parecido com Jacques Derrida?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Câncer, Jacques Derrida tem Lua em Peixes e Ascendente em Virgem, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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