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O mapa astral de Jacques Brel

Jacques Brel é o belga que fez a canção francesa parecer pequena demais para o tamanho do que ele tinha a dizer. Autor de Ne me quitte pas, Amsterdam e Le Moribond, cantava como quem não tem tempo sobrando. Em 1966, no auge absoluto, anunciou que não subiria mais em palco, e cumpriu: virou ator, dirigiu cinema, pilotou avião e acabou morando numa ilha do Pacífico.

Nascimento: 8 de abril de 1929, às 03:00, em Schaerbeek, Bélgica. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/jacques-brel/), nota AA - Registro de nascimento citado.

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A geometria real do céu de 08/04/1929

O céu em números

  • Sol17°47' Áries · casa 2
  • Lua25°28' Peixes · casa 1
  • Ascendente9°25' Aquário · casa 1
  • Meio do Céu7°05' Sagitário · casa 10
  • Mercúrio7°52' Áries · casa 1
  • Vênusretrógrado6°24' Touro · casa 2
  • Marte12°03' Câncer · casa 5
  • Júpiter14°44' Touro · casa 3
  • Saturno0°31' Capricórnio · casa 11
  • Urano7°57' Áries · casa 1
  • Netunoretrógrado28°51' Leão · casa 7
  • Plutão16°13' Câncer · casa 6
  • Quíron8°23' Touro · casa 2
  • Lilith25°05' Sagitário · casa 11

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

a urgência de quem começa

Sol em Áries, casa 2

Cantar como se cada verso fosse o último aponta para um Sol em Áries, o signo da pressa e do impulso que não negocia, e é esse o lugar do dele. O Sol é o combustível de base de alguém, e o dele caiu no setor do círculo que trata do que se considera próprio, do próprio valor. É a marca de alguém que decidiu sozinho o preço do que fazia, inclusive na hora de parar.

a emoção sem contorno

Lua em Peixes, casa 1

A Lua responde pelo que embala e pelo que aperta. A dele fica em Peixes, que é o território do sentimento que transborda e não cabe em copo, e cai logo na abertura do mapa, o setor da presença. É a descrição mais econômica possível de Ne me quitte pas, canção em que um homem implora sem guardar nenhuma dignidade para si.

quem sai da fila

Ascendente em Aquário

Quem vinha subindo a leste no momento do parto era Aquário, e é o signo de quem faz o movimento que ninguém esperava. Esse ponto é o gesto de aproximação de alguém. Em 1966, no ponto mais alto da carreira, ele anunciou que abandonaria os palcos, o que naquele contexto era tão fora do script quanto se pode imaginar.

a palavra em curto-circuito

Mercúrio em Áries, casa 1

Mercúrio mostra como a pessoa pensa e fala, e o dele está em Áries colado a Urano, o planeta do choque elétrico, com apenas 0,07 grau entre os dois. Nada no mapa dele bate tão em cima. Costuma dar fala que sai como descarga, sem passar pelo filtro do bom tom, e as letras dele fazem exatamente isso.

o gosto pela coisa terrena

Vênus em Touro, casa 2

Cantar com fúria sobre a vida confortável é uma forma torta de amar o mundo material, e quem cuida disso é Vênus: a dele está em Touro, signo do concreto, do que se pega com a mão, e está retrógrada, no movimento aparente de quem volta atrás. Anda junto de quem ama o mundo material e ao mesmo tempo desconfia dele, o que rima com um artista que cantava com fúria sobre a mesquinharia da vida confortável.

a garra que vem da emoção

Marte em Câncer, casa 5

Marte governa a garra. A dele ficou em Câncer, o signo mais emocional dos que agem por instinto, no setor do mapa ligado à criação e ao palco. É a assinatura de quem entra em cena movido pelo que sente naquele instante, e não pelo roteiro combinado no ensaio.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

A voz que sai como descarga

Mercúrio colado a Urano, a 0,07 grau, na casa 1

Sete centésimos de grau é praticamente nada, e é a distância entre a palavra e o raio no mapa dele. Os dois caíram na abertura do círculo, o setor que trata do corpo e da presença, o que significa que essa eletricidade não fica na cabeça: passa para o físico. Quem já viu uma filmagem dele cantando Amsterdam sabe do que se trata: a canção vai subindo até virar quase um grito, e o corpo inteiro entra junto.

Três pontos na abertura do mapa

Lua, Mercúrio e Urano juntos na casa 1, o setor do corpo e da presença

A casa 1 é o setor de como a pessoa aparece, e o lugar junta três pontos: a emoção, a palavra e o susto. Isso desenha alguém que não consegue separar o que sente do que mostra, e que chega inteiro em cada aparição. É o oposto do intérprete que veste um personagem: nas canções dele, o sujeito que sofre e o sujeito que canta são a mesma pessoa, e é por isso que continuam doendo décadas depois.

O topo do mapa apontando para longe

Meio do Céu em Sagitário, com Mercúrio e Urano ligados a ele a 0,79 e 0,86 grau

O topo do círculo indica a lembrança que sobra de alguém, e o dele está em Sagitário, o signo da distância percorrida, em boa conversa com o planeta da palavra e o da ruptura. A vida confirmou o desenho de um jeito quase literal: ele tirou brevê de piloto em 1965, comprou um veleiro em 1974, partiu de Antuérpia rumo ao Pacífico e foi terminar seus dias nas ilhas Marquesas, do outro lado do mundo, fazendo transporte aéreo entre uma ilha e outra.

O próprio valor como assunto

Sol, Vênus e Quíron na casa 2, o setor do que a pessoa considera seu

A casa 2 é o setor daquilo que a pessoa reconhece como valor próprio, e ele tem lá três pontos, entre eles o Sol. Costuma dar quem mede tudo pela régua interna e não pela régua do mercado. Foi essa régua que operou em 1966: no ano em que era o artista mais requisitado da língua francesa, ele decidiu que continuar seria trair o que fazia, e simplesmente parou de subir em palco.

A força que puxa por baixo

Sol e Plutão num ângulo duro, a 1,58 grau

Plutão é o planeta da intensidade que não admite meia dose, e no mapa dele cutuca o Sol num ângulo desconfortável. Acompanha quem vive tudo em regime de tudo ou nada e transforma cada assunto numa questão de vida. É a temperatura das canções dele, que tratam de amor, de morte e de mediocridade com a mesma gravidade absoluta, sem nunca oferecer ao ouvinte uma saída confortável.

As conversas do céu

A emoção contra o que não pede licença

Lua e Lilith num ângulo de rusga, a 0,38 grau

Lilith marca o que se recusa a virar bom moço, e aqui ele aperta a Lua, que é o sentir. Fala de quem tem uma emoção que se recusa a ficar apresentável. Nos discos dele isso aparece como a decisão de cantar sobre o que é feio, mesquinho e patético em vez de cantar sobre o que é bonito.

A construção que aguenta o sonho

Saturno e Netuno num ângulo simpático, a 1,66 grau

Saturno é a estrutura e Netuno é o devaneio, e no céu dele eles se dão bem. Tem a ver com quem consegue dar forma concreta a uma fantasia grande. É o que separa quem sonha em largar tudo de quem larga tudo, compra um barco, aprende a navegar e efetivamente atravessa o Atlântico.

O afeto que carrega uma ferida

Vênus e Quíron juntos em Touro, a 1,99 grau

Quíron é o ponto que marca o lugar sensível e Vênus é o amor, e no círculo dele os dois dividem o mesmo pedaço do mapa. Costuma render quem escreve sobre afeto a partir da falta, e não da posse. Bate com um repertório em que praticamente nenhuma canção de amor termina bem, e mesmo assim o público inteiro se reconhece nelas.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • fogo39%
  • terra22%
  • Água22%
  • ar17%

Os aspectos mais apertados

  • Mercúrio conjunção Urano · 0,07° de folga
  • Lua quadratura Lilith · 0,38° de folga
  • Mercúrio trígono Meio do Céu · 0,79° de folga
  • Urano trígono Meio do Céu · 0,86° de folga
  • Quíron quadratura Ascendente · 1,05° de folga
  • Júpiter sextil Plutão · 1,48° de folga

Você sabia?Uma das canções dele deu a volta ao mundo sem que quase ninguém soubesse a origem. Le Moribond, gravada por ele em 1961, ganhou versão em inglês feita pelo poeta Rod McKuen e virou Seasons in the Sun, que na voz do canadense Terry Jacks foi um dos maiores sucessos pop de 1974, vendendo milhões de cópias. Muita gente que cantou aquele refrão no rádio nunca soube que estava cantando uma canção belga sobre um homem se despedindo dos amigos.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Jacques Brel?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/jacques-brel/), nota AA - Registro de nascimento citado. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Jacques Brel quer dizer ser parecido com Jacques Brel?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Áries, Jacques Brel tem Lua em Peixes e Ascendente em Aquário, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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