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Teatro e literatura

O mapa astral de Harold Pinter

Harold Pinter escreveu peças em que duas ou três pessoas ficam numa sala medindo forças, e a coisa mais perigosa que acontece é o silêncio. Ganhou o Nobel de Literatura em 2005 e deu nome a um adjetivo que entrou no dicionário. O mapa dele reúne quatro pontos exatamente na casa que trata do encontro cara a cara com o outro.

Nascimento: 10 de outubro de 1930, às 14:00, em Londres, Reino Unido. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/harold-pinter/), nota A: memória.

O horário de nascimento aqui usado vem de relato de memória, e não de certidão. Isso não altera as posições dos planetas, que se movem devagar, mas o Ascendente e a divisão das casas podem mudar se o horário verdadeiro for diferente por mais de meia hora. Toda leitura que depende do signo que abre o mapa e do agrupamento de quatro pontos no setor das relações deve ser lida com essa ressalva.

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A geometria real do céu de 10/10/1930

O céu em números

  • Sol16°32' Libra · casa 8
  • Lua18°56' Touro · casa 3
  • Ascendente15°31' Capricórnio · casa 1
  • Meio do Céu20°45' Escorpião · casa 10
  • Mercúrio29°10' Virgem · casa 8
  • Vênus29°01' Escorpião · casa 10
  • Marte24°59' Câncer · casa 7
  • Júpiter19°12' Câncer · casa 7
  • Saturno6°01' Capricórnio · casa 12
  • Uranoretrógrado13°15' Áries · casa 2
  • Netuno4°50' Virgem · casa 7
  • Plutão20°51' Câncer · casa 7
  • Quíronretrógrado17°52' Touro · casa 3
  • Lilith26°37' Aquário · casa 1

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

a ameaça sob a mesa

Sol em Libra, casa 8

O Sol dele, que na roda marca o eixo da pessoa, está em Libra, signo da conversa civilizada, dentro da casa 8, o setor do que é intenso, escondido e ameaçador. Essa combinação é praticamente a definição do teatro que ele inventou: gente educada tomando chá enquanto alguma coisa terrível se organiza embaixo da mesa, sem que ninguém diga o quê.

a memória que não bate

Lua em Touro, casa 3

A Lua guarda a memória e o hábito afetivo. A dele está em Touro, signo do concreto e do que se lembra pelo corpo, na casa 3, a da linguagem e da fala do dia a dia. Combina com um autor obcecado por memória contraditória: nas peças dele, dois personagens lembram do mesmo acontecimento de formas incompatíveis, e nenhum dos dois está mentindo.

a secura na porta

Ascendente em Capricórnio

O Ascendente é o primeiro dado que o outro recebe. O dele é Capricórnio, o signo mais contido e menos expansivo do zodíaco. Ajuda a entender a fama que ele tinha em ensaio e em entrevista: pouco caloroso, econômico no gesto, capaz de deixar uma pergunta pairando sem resposta por tempo suficiente para constranger o entrevistador.

a palavra pesada na balança

Mercúrio em Virgem, casa 8

Mercúrio é o ponto da palavra, e o dele está no último grau de Virgem, o signo mais exigente com precisão, dentro da casa 8. O último grau de um signo é a posição mais concentrada que ele pode ocupar. Poucas coisas descrevem melhor um dramaturgo que marcava a diferença entre pausa e silêncio nas rubricas do texto, tratando o intervalo entre duas falas como matéria a ser medida.

o gosto pelo que não se diz

Vênus em Escorpião, casa 10

Vênus responde pelo que atrai alguém, e a dele está no último grau de Escorpião, o signo do não dito, bem no alto do mapa, onde mora a reputação. Faz ângulo suave com Mercúrio a 0,16 grau, distância mínima. É a assinatura de quem faz arte do subtexto, e cuja beleza está sempre naquilo que os personagens evitam mencionar.

a briga dentro da sala

Marte em Câncer, casa 7

Marte é a força de encarar o outro, e o dele está em Câncer, signo que ataca defendendo território, na casa 7, a do confronto direto com o outro. Não é agressão de rua: é a disputa por quem manda dentro de uma casa, quem senta na cadeira, quem fica e quem sai. Essa é literalmente a mecânica das peças mais famosas dele.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

Quatro pontos na casa do outro

Marte, Júpiter, Netuno e Plutão reunidos na casa 7

A casa 7 é a parte do mapa reservada ao encontro cara a cara, da sociedade, do duelo e do casamento, e quatro pontos dele se amontoam ali dentro, incluindo Marte e Plutão, os dois planetas de disputa por poder. É concentração forte. O teatro que ele criou é feito exatamente disso: duas ou três pessoas numa sala fechada, medindo território através da conversa, até que uma delas perca.

A pausa marcada na página

Mercúrio no último grau de Virgem, em ângulo suave com Vênus a 0,16 grau

Ele escrevia pausa e silêncio como indicações distintas no texto, com significados diferentes, e os atores que trabalharam com ele contam que a diferença entre as duas era levada a sério nos ensaios. Mercúrio, planeta da palavra, fecha Virgem, signo da medida exata, e conversa com Vênus a 0,16 grau. É o desenho de quem transforma o vazio entre duas frases em unidade de composição, como um músico que escreve as pausas.

O fracasso de uma semana

Sol e Ascendente se estranhando, a 1,01 grau

A Festa de Aniversário, hoje um clássico do teatro do século vinte, foi destroçada pela crítica na estreia em 1958 e saiu de cartaz em uma semana. O Sol dele se atrita com o Ascendente a 1,01 grau, e essa é a tensão clássica entre quem a pessoa é e como o mundo a recebe. A tradição lê isso como alguém que demora a ser compreendido e cuja obra precisa de tempo para o público chegar.

O Nobel entregue por vídeo

Plutão em ângulo macio com o ponto de cima do mapa, a 0,10 grau

Em 2005 ele recebeu o Nobel de Literatura e, impossibilitado de viajar a Estocolmo, gravou a conferência em vídeo, transformando o discurso numa peça política sobre verdade e poder. Plutão, planeta do poder que não aparece, faz um ângulo macio de 0,10 grau com o ponto de cima do mapa, que responde pela reputação. Essa distância é quase inexistente. Aponta quem usa a própria posição pública como instrumento de confronto.

A história contada de trás para frente

Lua colada em Quíron, a 1,06 grau, na casa 3

Em Traição, de 1978, ele conta uma história começando pelo fim e recuando cena a cena até o início, de modo que o público sabe do desfecho antes dos personagens. A Lua, que é a memória afetiva, está a 1,06 grau de Quíron, o ponto do machucado que vira habilidade, os dois na casa da linguagem. É o céu ecoando alguém que transformou a mecânica da lembrança em estrutura formal.

As conversas do céu

A dureza que ampara

Saturno em ângulo macio com Netuno, a 1,17 grau

Saturno, que é o rigor, conversa suavemente com Netuno, que é a compaixão e o sonho, a 1,17 grau. Costuma indicar quem dá forma disciplinada a material intangível. É a descrição técnica do trabalho dele: pegar o medo difuso, o mal-estar sem nome, e organizá-lo em duas horas de teatro com marcação de cena e cronômetro.

A abundância que se junta ao poder

Júpiter colado em Plutão, a 1,65 grau, na casa 7

Júpiter, planeta que amplia, está a 1,65 grau de Plutão, planeta que concentra força, os dois na casa das relações. Aponta quem enxerga política em toda relação humana. Ele dizia que uma peça sobre duas pessoas dividindo um quarto é uma peça sobre poder, e a obra dele inteira sustenta esse argumento sem nunca precisar mencionar governo.

Quarenta e quatro por cento de chão

44% do mapa em signos de terra e apenas 5% em fogo

Terra ocupa 44% do mapa dele e fogo aparece com míseros 5%. É um retrato de alguém prático, material e nada exaltado. As peças dele não têm heróis, não têm discurso inflamado e quase não têm acontecimento: têm móveis, xícaras, cadeiras disputadas e frases curtas. O drama acontece no mobiliário.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • terra44%
  • Água36%
  • ar15%
  • fogo5%

Os aspectos mais apertados

  • Plutão trígono Meio do Céu · 0,1° de folga
  • Mercúrio sextil Vênus · 0,16° de folga
  • Lua sextil Júpiter · 0,28° de folga
  • Sol quadratura Ascendente · 1,01° de folga
  • Lua conjunção Quíron · 1,06° de folga
  • Saturno trígono Netuno · 1,17° de folga

Você sabia?O sobrenome dele virou adjetivo de dicionário ainda em vida. Pinteresco descreve, hoje, qualquer situação em que a conversa é banal, a ameaça é invisível e as pausas dizem mais que as palavras. Poucos escritores conseguiram transformar o próprio método num verbete que jornalistas usam para descrever reuniões de trabalho desconfortáveis, quase sempre sem ter lido uma peça sequer.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Harold Pinter?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/harold-pinter/), nota A: memória. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Harold Pinter quer dizer ser parecido com Harold Pinter?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Libra, Harold Pinter tem Lua em Touro e Ascendente em Capricórnio, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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