Literatura
O mapa astral de Giacomo Leopardi
Nascimento: 29 de junho de 1798, às 15:00, em Recanati, Itália. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/giacomo-leopardi/), nota AA - Registro de nascimento em mãos.
O mapa desta página não traz Quíron, e isso não é erro de cálculo. Quíron só foi descoberto em 1977, e as tabelas que os astrólogos usam para localizá-lo no céu começam por volta de 1800. Leopardi nasceu em 1798 e fica de fora por dois anos de diferença.
A geometria real do céu de 29/06/1798
O céu em números
- Sol7°56' Câncer · casa 8
- Lua23°46' Capricórnio · casa 3
- Ascendente11°24' Escorpião · casa 1
- Meio do Céu21°33' Leão · casa 10
- Mercúrio17°42' Gêmeos · casa 8
- Vênus25°16' Touro · casa 7
- Marte7°33' Peixes · casa 4
- Júpiter17°57' Touro · casa 7
- Saturno14°40' Câncer · casa 8
- Urano14°05' Virgem · casa 10
- Netunoretrógrado10°15' Escorpião · casa 12
- Plutãoretrógrado1°41' Peixes · casa 4
- Lilith14°10' Peixes · casa 4
Sol, Lua, Ascendente e o elenco
olhar o limite de frente
Sol em Câncer, casa 8
O Sol mostra a essência da pessoa, e o dele fica em Câncer, o signo da memória e do sentimento que não seca, na área do mapa que fala das transformações profundas e do que termina. É o retrato de um poeta que encarou o limite das coisas a vida inteira e escreveu a partir dali, sem procurar consolo.
a disciplina de escrever todo dia
Lua em Capricórnio, casa 3
A Lua mostra o lado de dentro, o que a pessoa sente. A dele fica em Capricórnio, o signo da disciplina que não afrouxa, bem na área do mapa que fala de estudo e de escrita do dia a dia. É o desenho de alguém que organizava a própria vida interior escrevendo, todo dia, sem plateia nenhuma.
o jeito de chegar
Ascendente em Escorpião
O Ascendente é a primeira impressão que a pessoa passa. O dele é Escorpião, o signo de quem não se contenta com a superfície e vai atrás do que está por baixo. Combina com um escritor que recusou consolo fácil e ficou conhecido por olhar sem desviar exatamente aquilo que quase todo mundo prefere não olhar.
a mente que devora idioma
Mercúrio em Gêmeos, casa 8
Mercúrio mostra como a pessoa pensa e aprende. O dele fica em Gêmeos, o signo das línguas e da curiosidade que não se satisfaz, na mesma área do que transforma por dentro. Dá uma cabeça que aprende idioma como quem come. Entre os doze e os dezenove anos ele saiu lendo e escrevendo latim, grego antigo e hebraico com fluência.
o prazer dos cinco sentidos
Vênus em Touro, casa 7
Vênus é o que a pessoa acha bonito. A dele fica em Touro, o signo do que se toca, se cheira e se escuta. É uma peça inesperada no mapa do poeta do pessimismo, e explica muita coisa: a poesia dele é cheia de vento nas folhas, de cheiro de campo e de canto de moça na janela.
a batalha travada no papel
Marte em Peixes, casa 4
Marte é a força de agir. O dele fica em Peixes, o signo que não avança na força e sim por dentro, na área que fala do lar e das raízes. É uma garra que se exerce sentado, dentro de casa, em silêncio. Foi o que ele fez a vida inteira: a batalha dele era com o papel.
O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa
A cerca do Infinito
Netuno colado ao Ascendente, a 1,16 grau
Netuno é o planeta da imaginação, do que dissolve a fronteira entre o visível e o inventado. O Ascendente é a janela por onde a pessoa olha o mundo. No mapa dele os dois estão praticamente no mesmo ponto, e é difícil imaginar figura mais exata para o poema que o tornou eterno. L'infinito, escrito em 1819, tem quinze versos e fala de uma cerca viva que atrapalha a vista do horizonte. E é justamente porque o olho não passa que a cabeça inventa espaços sem fim do outro lado.
Milhares de páginas para ninguém
Lua em Capricórnio na casa 3, a do estudo e da escrita do dia a dia
A Lua é a vida de dentro, aquilo de que a pessoa precisa para se sentir inteira. A dele está em Capricórnio, o signo da disciplina, e caiu na área do mapa que fala de escrever e de estudar. Ou seja: o jeito dele de se acalmar era escrever, com método, todo dia. Foi isso que fez durante anos num caderno particular, o Zibaldone, uma montanha de anotações, aforismos, análises de língua e observações filosóficas que nunca pretendeu publicar. Só saiu impresso mais de sessenta anos depois da morte dele.
Três línguas antigas, sozinho
Mercúrio em Gêmeos, o signo dos idiomas, na casa 8
Gêmeos é o signo da língua, da tradução e de quem aprende por conta. No mapa dele Mercúrio, que é a mente, está ali, e cai na área que fala do que revira a pessoa por dentro. Entre os doze e os dezenove anos, Leopardi se enfiou na biblioteca da casa onde crescia e fez o que ele mesmo chamou de estudo louco e desesperadíssimo. Saiu de lá lendo e escrevendo latim, grego antigo e hebraico com fluência, sem ter frequentado universidade nenhuma.
O limite como assunto
Sol e Saturno os dois em Câncer, na casa 8
Saturno é o planeta do limite, do que tem fim e não se pode negociar. No mapa dele divide o mesmo signo e a mesma área com o Sol, que é a essência da pessoa, e essa área é a que fala do que termina e do que transforma. Bate com um escritor que colocou o fim das coisas no centro da obra em vez de fugir dele. Nas Operette morali, escritas entre 1823 e 1828, ele põe a natureza para conversar com um islandês e dizer, com toda a calma, que não foi feita para o bem de ninguém.
O mundo que ele amava mesmo assim
Vênus e Júpiter os dois em Touro, na casa 7
Aqui está a peça que desmonta o clichê. O poeta que a escola apresenta como o pessimista tem Vênus, que é o gosto, e Júpiter, que é a alegria grande, os dois em Touro, o signo do prazer dos sentidos e do que é bom simplesmente por existir. E a obra confirma: os versos dele estão cheios de cheiro, de som e de luz de tarde. Em 1836 ele escreveu La ginestra, trezentos e dezessete versos sobre uma flor amarela que insiste em crescer na encosta do Vesúvio, e o poema é lido até hoje como o testamento moral dele.
As conversas do céu
A garra no mesmo passo da essência
Sol e Marte num ângulo suave, a 0,38 grau
O Sol é quem a pessoa é e Marte é a força de partir para a ação. No mapa dele os dois estão num encaixe fácil e quase exato, com folga de trinta e oito centésimos de grau. Costuma dar quem faz o que precisa ser feito sem brigar consigo antes. No caso dele, a ação era escrever, e ele escreveu sem parar dos doze anos até o fim.
O clássico e o moderno na mesma mão
Saturno e Urano num ângulo fácil, a 0,58 grau
Saturno é a tradição e a forma herdada. Urano é a ruptura. No mapa dele os dois se entendem com facilidade, e isso costuma dar quem consegue ser fiel à forma antiga dizendo coisa que ninguém tinha dito ainda. É exatamente o lugar dele na literatura: escrevia em métrica clássica impecável e é lido como um dos primeiros poetas modernos da Europa.
O sentir e o gosto de mãos dadas
Lua e Vênus num ângulo suave, a 1,48 grau
A Lua é o que a pessoa sente e Vênus é o que ela acha bonito. No mapa dele os dois conversam sem esforço, o que costuma dar quem encontra beleza justamente naquilo que já está sentindo, sem precisar procurar longe. Combina com um poeta cujos versos mais famosos nascem de coisas mínimas: uma cerca, uma tarde de sábado numa aldeia, uma moça cantando enquanto trabalha.
Elementos e aspectos
A mistura dos elementos
- Água40%
- terra33%
- ar17%
- fogo10%
Os aspectos mais apertados
- Urano oposição Lilith · 0,09° de folga
- Sol trígono Marte · 0,38° de folga
- Saturno trígono Lilith · 0,49° de folga
- Saturno sextil Urano · 0,58° de folga
- Netuno conjunção Ascendente · 1,16° de folga
- Lua trígono Vênus · 1,48° de folga
Você sabia?Você não vai acreditar: o poema pelo qual ele é conhecido no mundo inteiro tem quinze versos. Quinze. E o assunto é uma cerca viva que atrapalha a vista. L'infinito foi escrito em 1819, quando ele tinha vinte e um anos, e estudantes italianos continuam decorando esses quinze versos na escola dois séculos depois.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
De onde vem a hora de nascimento de Giacomo Leopardi?
Ter o mesmo signo de Giacomo Leopardi quer dizer ser parecido com Giacomo Leopardi?
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Como comparo o meu mapa com este?
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