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O mapa astral de Frank Herbert

Frank Herbert escreveu Duna, o romance que colocou a ecologia no centro da ficção científica e que continua sendo lido e adaptado seis décadas depois. Antes disso, e por muito tempo depois, foi jornalista de jornal. O mapa dele é um dos mais equilibrados que se pode encontrar, o que num autor obcecado por equilíbrio de sistemas dá uma coincidência muito difícil de ignorar.

Nascimento: 8 de outubro de 1920, às 07:30, em Tacoma (WA), Estados Unidos. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/frank-herbert/), nota AA: registro de nascimento citado.

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A geometria real do céu de 08/10/1920

O céu em números

  • Sol15°02' Libra · casa 12
  • Lua2°23' Virgem · casa 10
  • Ascendente27°22' Libra · casa 1
  • Meio do Céu4°40' Leão · casa 10
  • Mercúrio4°42' Escorpião · casa 1
  • Vênus10°51' Escorpião · casa 1
  • Marte22°52' Sagitário · casa 2
  • Júpiter8°53' Virgem · casa 11
  • Saturno18°46' Virgem · casa 11
  • Uranoretrógrado2°12' Peixes · casa 4
  • Netuno13°20' Leão · casa 10
  • Plutão8°55' Câncer · casa 9
  • Quíronretrógrado7°52' Áries · casa 6
  • Lilith9°21' Capricórnio · casa 3

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

o equilíbrio pensado longe dos olhos

Sol em Libra, casa 12

Duna nasceu de anos de pesquisa solitária sobre como um sistema se mantém em pé, e o Sol do Herbert, ponto que diz do que a pessoa é feita, está em Libra, o signo da balança e da medida certa, na casa 12, a região ligada ao que acontece longe da vista.

a fome de detalhe funcional

Lua em Virgem, casa 10

Os apêndices e o glossário no fim de Duna não são enfeite: são a Lua do Herbert trabalhando, e ela está em Virgem, signo que se tranquiliza catalogando, medindo e entendendo como as engrenagens se encaixam, na casa 10, a do que vai a público. São páginas e páginas de ecologia, religião e política no fim do volume, mais um glossário inteiro do Império.

o modo educado de chegar

Ascendente em Libra

Repórter é ofício em que a porta se abre pela pessoa, e não pelo assunto, e o Ascendente do Herbert, que é a primeira impressão, é Libra, o signo da boa companhia e da conversa civilizada. Ele passou mais de trinta anos vivendo disso.

a escrita que vai pelo lado escuro

Mercúrio em Escorpião, casa 1

A voz narrativa de Duna já estava desenhada em Mercúrio, ponto da mente e da fala: o do Herbert está em Escorpião, o signo do veneno e do que se move debaixo da superfície, na casa 1. Duna funciona a base de veneno, vício, ordens secretas e traição de família. Nenhum personagem daquele livro diz tudo o que sabe.

o gosto pelo que é intenso

Vênus em Escorpião, casa 1

Ele preferia o deserto ao jardim, e Vênus, o ponto do que se acha bonito, repete Escorpião no mapa dele, o signo que não se interessa por nada morno, também na casa 1. Não é gosto por sombra pela sombra: é a preferência por aquilo que tem consequência.

a energia de quem quer entender o mundo todo

Marte em Sagitário, casa 2

A energia do Herbert ia toda para aprender, e o Marte dele, que aponta a direção da força, está em Sagitário, signo do horizonte largo e da busca por sentido, na casa 2, a dos recursos que a pessoa acumula. A energia dele ia para aprender: ecologia, psicologia, religião comparada, tudo virou matéria-prima do livro.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

As dunas que ele foi ver de perto

Sol em Libra na casa 12, a do que fica fora de vista

No fim dos anos 1950 ele viajou até Florence, no Oregon, para escrever uma reportagem sobre o Departamento de Agricultura americano usando gramíneas resistentes para segurar dunas que andavam sozinhas e engoliam estradas. O texto se chamaria They Stopped the Moving Sands e nunca foi terminado. O Sol dele está na casa 12, a parte do mapa daquilo que cresce escondido e só aparece anos depois. A reportagem morreu e virou Duna.

A mente em pé de briga com o crachá

Mercúrio em queda de braço com o cume do mapa, a 0,03 grau

Nada no mapa dele bate tão certo quanto isto: a incríveis 0,03 grau do exato, Mercúrio, o planeta da escrita, torce contra o cume do mapa, que é o do trabalho reconhecido. Costuma dar quem escreve uma coisa e ganha a vida escrevendo outra. Duna saiu em 1965 e ele continuou como repórter de jornal por mais sete anos, largando a redação só no fim de 1972.

O mundo que funciona de verdade

Lua, Júpiter e Saturno todos em Virgem

Três pontos do mapa dele estão em Virgem, o signo da medida, do encaixe e do que precisa funcionar na prática: a Lua do sentimento, o Júpiter da abundância e o Saturno do rigor. Virgem em abundância é o céu de quem não aceita um mundo inventado sem contabilidade. Em Duna a água é moeda, o corpo é reciclado, o clima tem causa e a religião tem origem rastreável. É o único romance de aventura espacial que vem com nota de rodapé sobre umidade.

O livro que corre no veneno

Mercúrio e Vênus juntos em Escorpião, na casa 1

Escorpião é o signo do que age por baixo: o veneno, o segredo, a lealdade que se descobre falsa. O Mercúrio da voz narrativa e a Vênus do gosto estão os dois ali, e ainda por cima na casa 1, o setor do mapa que trata da apresentação ao mundo. Não é pouca coisa numa obra em que quase todo poder se exerce por dose calculada de substância e quase toda cena importante acontece entre pessoas que estão mentindo.

Nenhum elemento manda no mapa

fogo 27%, ar 27%, terra 24% e água 22%

A distribuição do mapa dele é quase um empate perfeito: 27% de fogo, 27% de ar, 24% de terra e 22% de água. Isso é raro. Na leitura astrológica quer dizer alguém sem um modo dominante de estar no mundo, que precisa dos quatro para funcionar. Herbert escreveu o romance mais famoso já feito sobre um planeta cuja sobrevivência depende de nenhum fator dominar os outros. É o tipo de rima que a gente lê duas vezes.

O messias no ponto mais alto

Netuno em Leão na casa 10

Netuno é o planeta do mito e da figura em que as pessoas projetam salvação, e o dele está em Leão, o signo da realeza, na casa 10, a do que o mundo enxerga. Duna é, no fundo, um romance sobre o perigo de acreditar num messias, e o autor passou a vida avisando que aquilo era advertência, e não convite.

As conversas do céu

A imaginação que dá solavanco

Lua e Urano em lados opostos, a 0,19 grau

A Lua é a imaginação e Urano é o raio, o susto, aquilo que chega sem pedir. No mapa dele os dois se enfrentam de lados opostos, a apenas 0,19 grau. Esse encontro é lido como a mente que recebe a ideia inteira de uma vez, sem construção prévia. Duna é um livro estruturado em torno de visões que chegam antes do fato, e o autor tinha esse desenho no próprio céu.

Quem controla o recurso controla tudo

Júpiter e Plutão em conversa fácil, a 0,03 grau

Júpiter é a abundância e Plutão é o poder que se exerce em silêncio. Os dois se dão bem no mapa dele com uma precisão absurda, a 0,03 grau. A leitura clássica é de quem enxerga naturalmente a relação entre riqueza e domínio. É basicamente o enredo de Duna resumido em duas palavras: a especiaria e quem manda nela.

A régua e o transe

Sol em sintonia com Netuno, a 1,7 grau

Netuno é o planeta do místico e do que não cabe em explicação. Ele conversa tranquila com o Sol do Herbert, a 1,7 grau. Costuma dar gente capaz de tratar o inexplicável com seriedade de engenheiro. É exatamente o tom de um livro que discute profecia, êxtase religioso e mito fundador sem nunca sair do registro de um relatório técnico.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • fogo27%
  • ar27%
  • terra24%
  • Água22%

Os aspectos mais apertados

  • Mercúrio quadratura Meio do Céu · 0,03° de folga
  • Júpiter sextil Plutão · 0,03° de folga
  • Lua oposição Urano · 0,19° de folga
  • Plutão oposição Lilith · 0,45° de folga
  • Júpiter trígono Lilith · 0,47° de folga
  • Plutão quadratura Quíron · 1,04° de folga

Você sabia?A reportagem que virou Duna nunca ficou pronta. Ele começou a escrever, abandonou, e o texto só foi publicado em 2005, dezenove anos depois da morte dele, numa coletânea de material inédito. Enquanto isso, o romance que nasceu daquela pesquisa abandonada levou o primeiro prêmio Nebula de melhor romance da história e ainda dividiu o Hugo de 1966. Poucos jornalistas erraram tão bem a mão numa pauta.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Frank Herbert?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/frank-herbert/), nota AA: registro de nascimento citado. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Frank Herbert quer dizer ser parecido com Frank Herbert?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Libra, Frank Herbert tem Lua em Virgem e Ascendente em Libra, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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