Filosofia e enciclopédia
O mapa astral de Denis Diderot
Nascimento: 5 de outubro de 1713, às 17:00, em Langres, França. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/denis-diderot/), nota AA: registro de nascimento citado.
O mapa dele traz treze pontos, e não catorze: falta Quíron. Não é dado quebrado, é limite de astronomia. Quíron só foi descoberto em 1977 e as tabelas com a posição dele no céu não retrocedem até 1713. E há uma segunda ressalva, esta mais séria. Antes de os fusos horários serem padronizados, cada cidade acertava o relógio pelo próprio meio-dia, então a hora anotada em Langres em 1713 era a hora de Langres, e não a de um fuso. A conversão moderna ancora essa hora na cidade de referência da zona, e isso desloca o Ascendente e as divisas das casas. No caso dele o deslocamento é grande o bastante para mudar o signo do Ascendente: o cálculo desta página o coloca no comecinho de Áries, a menos de cinco graus, e a hora local de Langres o levaria para o fim de Peixes. Ou seja, leia o Ascendente e a divisão das casas aqui com essa ressalva na frente. Os planetas, os signos deles e os aspectos entre eles seguem firmes.
A geometria real do céu de 05/10/1713
O céu em números
- Sol12°16' Libra · casa 7
- Lua4°12' Touro · casa 1
- Ascendente4°46' Áries · casa 1
- Meio do Céu2°05' Capricórnio · casa 10
- Mercúrio24°28' Virgem · casa 6
- Vênus29°38' Leão · casa 6
- Marte4°00' Sagitário · casa 8
- Júpiterretrógrado4°05' Peixes · casa 12
- Saturno6°27' Virgem · casa 6
- Urano14°00' Virgem · casa 6
- Netunoretrógrado6°13' Touro · casa 1
- Plutão5°24' Virgem · casa 6
- Lilith16°16' Leão · casa 5
Sol, Lua, Ascendente e o elenco
a essência em diálogo
Sol em Libra, casa 7
O Sol diz quem a pessoa é bem no centro. O dele fica em Libra, o signo que só consegue pensar comparando dois lados, bem na parte do mapa que fala do outro e do encontro. É um retrato quase técnico de um autor que escrevia livros inteiros no formato de conversa entre duas pessoas.
a fome de mundo
Lua em Touro, casa 1
A Lua guarda a vida afetiva e o apetite pela vida. A dele fica em Touro, o signo do prazer concreto e do que se come, se toca e se cheira, logo na abertura do mapa. Combina com um filósofo que não desprezava o corpo nem o gosto, e que escrevia sobre teatro, pintura e comida com o mesmo entusiasmo com que escrevia sobre metafísica.
a porta escancarada
Ascendente em Áries
O Ascendente é o jeito de chegar, a primeira coisa que se nota. O dele é Áries, o signo de quem entra sem bater. Bate com um homem que atacava assunto proibido de frente e seguiu tocando a Enciclopédia mesmo depois de ela ser condenada.
a cabeça que cataloga
Mercúrio em Virgem, casa 6
Mercúrio é a maquinaria do pensamento, e o dele fica em Virgem, o signo de organizar, classificar e conferir, na parte do mapa que cuida do trabalho de todo dia. É o desenho mental exato de quem passou décadas encaixando o conhecimento humano em verbetes por ordem alfabética.
o gosto virou profissão
Vênus em Leão, casa 6
Vênus cuida do senso estético, daquilo que se acha bonito. A dele fica no último grau de Leão, o signo do espetáculo, também na casa do trabalho. É o eco de quem transformou opinião sobre arte em ofício escrito, comentando as exposições de pintura de Paris por mais de vinte anos.
a briga por uma ideia
Marte em Sagitário, casa 8
Marte é o lado combativo, a energia que parte pra cima, e a dele fica em Sagitário, o signo da convicção, na parte do mapa que fala do que é escondido. É a assinatura de quem brigava por causa e não por vaidade, e brigava por escrito.
O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa
A Enciclopédia
cinco pontos na casa 6, a do trabalho de todo dia, e quatro deles em Virgem, o signo de catalogar
É a concentração mais impressionante do mapa dele: Mercúrio, Vênus, Saturno, Urano e Plutão empilhados no pedaço que fala de tarefa diária e de ofício, e quatro desses no signo que existe pra classificar e pôr em ordem. Diderot dirigiu a Enciclopédia de 1747 até o fim, vinte e cinco anos, 28 volumes contando texto e pranchas, cerca de 72 mil verbetes e mais de 2.500 gravuras, e escreveu ele mesmo milhares desses verbetes. Não existe descrição astrológica mais exata de um trabalho do que essa.
Dois personagens numa mesa
Sol em Libra na casa 7, a do outro
Libra é o signo que precisa de um segundo pra pensar, e a casa 7 é o lugar do mapa que fala justamente do outro, da conversa de igual pra igual. A essência dele está exatamente ali. E a forma literária que ele levou ao extremo foi o diálogo: O Sobrinho de Rameau é uma conversa de duas vozes num café, e Jacques, o Fatalista é um patrão e um criado discutindo o caminho inteiro.
A obra que só apareceu depois
Júpiter retrógrado em Peixes na casa 12, a do que fica guardado
A casa 12 é o canto do mapa que guarda o que não vem a público, e ali está Júpiter, o planeta da abundância. É uma imagem estranha: fartura trancada. E foi o que aconteceu com os melhores textos dele. O Sobrinho de Rameau só foi impresso em 1805, vinte e um anos depois da morte dele, e ainda por cima primeiro em tradução alemã feita por Goethe. O manuscrito original só reapareceu em 1890, achado por acaso na banca de um alfarrabista às margens do Sena. Jacques, o Fatalista e A Religiosa também são publicações póstumas, as duas de 1796.
A crítica de arte nasce aqui
Vênus no último grau de Leão na casa 6, a do ofício
Vênus é o senso do que é bonito, e ela caiu no signo do espetáculo, dentro da casa que fala de trabalho e rotina. É gosto virando emprego. Diderot escreveu nove desses comentários entre 1759 e 1781, sobre os Salões, que eram as grandes exposições de pintura de Paris. Esses textos são apontados até hoje como um marco de fundação da crítica de arte do jeito que a gente entende: alguém olhando um quadro e explicando por escrito por que ele funciona ou não.
Seguir mesmo condenado
Ascendente em Áries com Marte em ângulo fácil, a 0,76 grau
Áries abre o mapa e Marte, o planeta da coragem, conversa com ele quase sem atrito. Isso costuma dar quem não recua quando o caminho fecha. A Enciclopédia foi condenada e perdeu a licença de publicação no fim dos anos 1750, e ele tocou o projeto assim mesmo, até o último volume, mais de uma década depois.
As conversas do céu
O trabalho mexido no escuro
Saturno e Plutão praticamente colados, a 1,07 grau
Saturno é a regra e o esforço longo, Plutão é o que se move por baixo do pano. No céu dele, os dois caem quase no mesmo ponto, dentro da casa que fala de trabalho. Costuma dar quem se dedica a algo enorme e descobre tarde que mexeram naquilo sem avisar. Foi exatamente o que aconteceu: o impressor cortou trechos dos últimos volumes por conta própria, com medo da censura, e mutilou verbetes inteiros, um deles em cerca de oitocentas palavras. Diderot só descobriu por volta de 1764, com tudo já impresso e sem conserto possível.
Morder mais do que cabe
Marte e Júpiter se cutucando, a 0,09 grau
Marte é a força de agir e Júpiter é o apetite do sempre mais, e no céu dele a tensão entre eles é quase exata, num dos encontros mais fechados do céu. Costuma dar quem aceita tarefa maior do que caberia numa vida. Ele pegou o que começou como a tradução de uma enciclopédia inglesa e transformou aquilo num monstro de mais de vinte anos.
O bom humor de base
Lua e Júpiter se ajudando, a 0,11 grau
A Lua responde pelo humor de base, e Júpiter pela generosidade e pelo apetite, e no céu dele o encaixe entre eles é de uma precisão quase absurda. Costuma dar quem é grande na conversa, no gosto e na amizade. É o Diderot dos textos que riem no meio do argumento e do estilo que não separa filosofia de piada.
Elementos e aspectos
A mistura dos elementos
- terra38%
- fogo30%
- ar20%
- Água12%
Os aspectos mais apertados
- Marte quadratura Júpiter · 0,09° de folga
- Lua sextil Júpiter · 0,11° de folga
- Saturno trígono Netuno · 0,24° de folga
- Marte trígono Ascendente · 0,76° de folga
- Netuno trígono Plutão · 0,82° de folga
- Saturno conjunção Plutão · 1,07° de folga
Você sabia?Você sabia que Diderot vendeu a própria biblioteca para a imperatriz da Rússia e continuou com os livros em casa? Por volta de 1765 Catarina, a Grande, comprou a coleção inteira por 15 mil libras, deixou os volumes exatamente onde estavam e o nomeou bibliotecário da própria biblioteca, com mil libras por ano. Depois de um atraso no pagamento, mandou adiantar cinquenta anos de salário de uma vez. Foi provavelmente o melhor negócio já feito por um filósofo duro.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
De onde vem a hora de nascimento de Denis Diderot?
Ter o mesmo signo de Denis Diderot quer dizer ser parecido com Denis Diderot?
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Como comparo o meu mapa com este?
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