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Cinema

O mapa astral de Agnès Varda

Chamada de mãe e de avó da Nouvelle Vague, Agnès Varda fez em 1955 um filme que virou marco de um movimento inteiro quando ela mal tinha visto vinte filmes na vida. Foi fotógrafa de teatro por dez anos, atravessou seis décadas de cinema e, em 2017, tornou-se a primeira diretora mulher a receber um Oscar honorário. O mapa dela tem uma insistência muito clara: olhar para quem ninguém está olhando.

Nascimento: 30 de maio de 1928, às 07:20, em Ixelles, Bélgica. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/agnes-varda/), nota AA - Registro de nascimento citado.

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A geometria real do céu de 30/05/1928

O céu em números

  • Sol8°34' Gêmeos · casa 12
  • Lua22°25' Libra · casa 5
  • Ascendente16°03' Câncer · casa 1
  • Meio do Céu15°45' Peixes · casa 10
  • Mercúrio1°36' Câncer · casa 12
  • Vênus29°45' Touro · casa 11
  • Marte10°03' Áries · casa 10
  • Júpiter28°58' Áries · casa 11
  • Saturnoretrógrado16°23' Sagitário · casa 6
  • Urano6°38' Áries · casa 10
  • Netuno26°31' Leão · casa 3
  • Plutão15°41' Câncer · casa 12
  • Quíron7°45' Touro · casa 11
  • Lilith20°24' Escorpião · casa 5

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

o olho por trás da cortina

Sol em Gêmeos, casa 12

Uma cineasta que passou a vida filmando quem ninguém filmava tem o Sol num lugar meio à parte, e o dela está em Gêmeos, o signo da curiosidade que quer ver tudo, na casa 12, aquela que trata do que fica fora do quadro. Sai daí o retrato de quem observa demais e prefere a beirada ao centro da sala.

o afeto que compõe

Lua em Libra, casa 5

O olho de fotógrafa vem de uma Lua que procura proporção, e a dela está em Libra, o signo do equilíbrio e da relação, no trecho do mapa que responde por criação e expressão. É o sentir que organiza, que procura a proporção certa entre as partes. Não é pouco em alguém que foi fotógrafa antes de ser cineasta e cuja assinatura visual é justamente o enquadramento.

a porta de quem acolhe

Ascendente em Câncer

Chamavam ela de avó da Nouvelle Vague, e o Ascendente ri junto: é Câncer, o signo do cuidado e do abrigo, o mais materno de todos. Casa com uma cineasta cuja marca não é a de julgar quem está diante da câmera, e sim a de sentar do lado e ouvir.

a fala na primeira pessoa

Mercúrio em Câncer, casa 12

Ela narrava os próprios documentários com a própria voz, e Mercúrio explica: o dela está em Câncer, o signo do que é íntimo e sentido, no mesmo canto recolhido do mapa onde fica o Sol. É a inteligência que fala de si para falar do mundo. Combina com uma diretora que entrava no próprio documentário e narrava com a própria voz, em vez de fingir neutralidade.

o gosto pelo que sobra

Vênus em Touro, casa 11

O gosto por batata torta e parede velha se lê em Vênus, e a dela caiu no último grau de Touro, o signo da matéria e do que se pega com a mão, na faixa do mapa que trata de grupos e de causas coletivas. É o gosto que se apega ao concreto e ao humilde, e não ao luxuoso. Isso explica muito de uma obra em que o objeto sem valor nenhum vira protagonista.

a coragem de abrir caminho

Marte em Áries, casa 10

Fazer o primeiro filme sem saber quase nada de cinema é gesto de Marte em Áries, e é ali que está o dela, no signo que ele mesmo rege, bem no cume do mapa. É garra de quem parte na frente e descobre depois se era possível.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

Os que catam o que sobra

Sol, Mercúrio e Plutão na casa 12, aquela do que fica fora do quadro

Em 2000 ela fez Os Catadores e Eu, documentário sobre gente que recolhe o que a sociedade descarta, seja no campo, seja na cidade, e sobre artistas que fazem obra com sobra. Três marcações do mapa dela se agrupam na casa 12, o canto que a leitura tradicional associa ao invisível, ao esquecido e ao que fica de fora. É a casa mais ocupada do céu dela, e o filme mais dela é exatamente sobre isso.

O filme feito antes de saber

Marte e Urano juntos na casa 10, a da impressão deixada no mundo, ambos em Áries

Ela dirigiu La Pointe Courte em 1955, filme hoje considerado o primeiro da Nouvelle Vague, quando tinha visto cerca de vinte filmes na vida inteira. No alto do mapa dela estão Marte, que é a iniciativa, e Urano, que é a ruptura, os dois no signo que não pede licença. É o desenho exato de quem inaugura um movimento por não saber ainda o que não podia ser feito.

O olhar que atravessa

Plutão praticamente colado ao Ascendente, a 0,35 grau

Quem trabalhou com ela descrevia um olhar que não desviava. Na entrada do mapa dela, quase encostado, está Plutão, o planeta do que vê fundo e não se contenta com a superfície. A tradição associa esse encaixe a pessoas cuja presença é mais penetrante do que o tamanho delas sugere, e ela era uma senhora pequena que intimidava cineastas do mundo inteiro.

O cinema de gente reunida

Vênus, Júpiter e Quíron reunidos na casa 11, a das causas coletivas

De uma vila de pescadores em 1955 a uma viagem pelo interior da França colando retratos gigantes em paredes de aldeia, quase toda a obra dela é sobre comunidades. Três pontos do mapa se juntam na casa dedicada justamente a coletivo, de gente reunida em torno de algo. Ela nunca fez cinema de herói solitário, e o céu dela também não é.

A senhora que virou primeira

Sol em Gêmeos, o signo de quem não para de recomeçar

Em 2017, aos 89 anos, ela recebeu o Oscar honorário e virou a primeira diretora mulher a ganhar essa homenagem. No mesmo período estreou um documentário codirigido com um artista visual quase sessenta anos mais novo. O Sol dela está em Gêmeos, o signo da curiosidade que não envelhece e que sempre acha um assunto novo. Poucos mapas explicam tão bem uma velhice tão pouco parada.

As conversas do céu

O fundo em harmonia com o alto

Plutão em boa relação com o meio do céu, a 0,04 grau

Este é o encontro mais exato de todo o céu dela, com quatro centésimos de grau de sobra. Plutão é o que enxerga o que está enterrado, e o ponto de chegada do mapa é a posição pública. Juntos e em boa relação, dão quem constrói reputação justamente por mostrar o que os outros preferem não ver. É uma carreira inteira resumida num número.

O limite que dá forma

Saturno em tensão com o ponto de chegada do mapa, a 0,65 grau

Saturno carrega a restrição e da regra, e aqui ele atrita com o ponto da carreira. Costuma dar quem enfrenta obstáculo estrutural no caminho profissional e responde a ele com mais rigor, não com menos. Ela fez cinema por décadas com orçamento apertado, fora do circuito grande, e transformou a limitação em estética própria.

A iniciativa que combina com o rumo

Sol num ângulo amigável com Marte, a 1,48 grau

O Sol diz quem alguém é e Marte diz o que essa pessoa faz. Com os dois em conversa fácil, aparece gente cuja ação está em acordo com a identidade, sem briga interna entre querer e fazer. É o retrato de quem trabalhou até os 90 anos sem parecer estar se forçando a nada.

A invenção que já vinha de fábrica

Sol em harmonia com Urano, a 1,94 grau

O Sol responde pelo eixo de uma pessoa e Urano pelo que quebra o padrão estabelecido. Com os dois em acordo, a inovação não é esforço, é temperamento. Ela fez um filme que inaugurou um movimento sem ter estudado cinema, virou fotógrafa antes disso e, aos 89 anos, estava colando retratos gigantes em parede de aldeia ao lado de um artista de rua. Nada disso parecia custar a ela.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • Água29%
  • terra25%
  • fogo24%
  • ar22%

Os aspectos mais apertados

  • Plutão trígono Meio do Céu · 0,04° de folga
  • Ascendente trígono Meio do Céu · 0,31° de folga
  • Plutão conjunção Ascendente · 0,35° de folga
  • Marte sextil Nodo Norte · 0,53° de folga
  • Saturno quadratura Meio do Céu · 0,65° de folga
  • Sol conjunção Nodo Norte · 0,95° de folga

Você sabia?Vale reparar onde está Vênus no mapa dela: no último grau de Touro, ou seja, na fronteira final do signo que a leitura tradicional associa à terra, à matéria e ao que é humilde e concreto. Vênus é o planeta do gosto e da beleza. Ter o gosto plantado bem no fim do signo mais terreno de todos, no mapa da cineasta que fez um filme inteiro sobre pessoas catando batata torta e sobra de feira, é o tipo de detalhe que parece encomendado.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Agnès Varda?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/agnes-varda/), nota AA - Registro de nascimento citado. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Agnès Varda quer dizer ser parecido com Agnès Varda?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Gêmeos, Agnès Varda tem Lua em Libra e Ascendente em Câncer, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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